segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Futuro próximo

Futuro próximo

Sentada à sombra
Do coração,
Mergulho as mãos
Sobre as águas do Rio Negro,
Lavo meu rosto
Nas curvas do teu corpo
Num grito sufocado...
Grita a alma o medo do futuro!
Ah! Princesa negra das águas!
Solimões vertiginosa
Perigo assombrando as águas!
E morto está o Rio Tietê
Poluído sob céu de puro gris
O Brasil ido, caído--
E o mundo não me cai exato,
Nem a palavra o encaixe,
E indiferentes às horas consomem...
Cimentados corações que transbordam
A margem dos rios
E estamos condenados a ver
Na linguagem que revê
A beleza antes presente
Ausente, sem som...
Nem a figura se assemelha
Painel que nada recorda
A carruagem ao longe
Alguns bocados de silêncio
O homem a velha sina,
Violando pássaro, água e ar
E no ante desejo afogam-se palavras
O céu se contrai
Na escassa água
Movimentos parciais
Invejado mundo de outrora
E sigo sem contornar
As paredes do céu a minha volta
E o ponto de partida revi
Orgasmos de íris
Paralelos azuis
Na boca que consome
Suor a teu lado.

-- Ludiro e Magaly

2 comentários:

andré disse...

linda poesia, feita de água e sentimentos. abraço

Conceição Bernardino disse...

Olá,
“ Somos a ponte para a eternidade,
Formando um arco sobre o mar,
Procurando aventuras para nosso regozijo,
Vivendo mistérios, optando por calamidades,
Triunfos, desafios, apostas impossíveis,
Pondo-nos à prova uma e outra vez,
Aprendendo amar.”
Excerto de “Richard Bach”

É com esta força que renasço todos os dias, para continuar a minha caminhada...
Espero que gostem deste pequeno presente.
Beijinhos, que a escrita nos una!
Conceição Bernardino

http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com