segunda-feira, março 27, 2006

Felicidade

Felicidade

Coração desperto
Não me deixa quieto
Nem mesmo descansar
Vaga na lembrança
Do tempo de criança
Em que ficava a brincar
Sem ter nada com que me preocupar

Bate coração
O tempo está passando
Peito apertando
Sem ter lágrimas para chorar
Me ensina a ser feliz
Do jeito que sempre quis
Um sonho a se realizar
Uma grotesca pedra em meu olhar
Impossibilita-me de enxergar

A felicidade está ao lado
Com força, é pegar e agarrar
Ficar abraçado
Caminhando enlaçado
Com os olhos vendados
A felicidade a me guiar
Ludiro
27/03/2006

domingo, março 26, 2006

Desagarrados

Desagarrados
Mal alimentados
*"Peti gangú"
Desagarrados
Sofrendo estas crianças
Crescendo revoltados
Que futuro!
Será vadio?
Vagabundo?
Os pequenos desitratados
Barrigas distendidas
Buchos vazios
Em suas cabeças
O ideal
Uma vã conquista!
Nas costas
Seus fuzis
E cicatrizes
Na Cintura, facas
E revólveres
Os pobres
**Pequenos "bandì"
Famintos do Haiti!
Ludiro
25/03/2006
* "Peti gangú": pequeno faminto, pequeno com fome (em creole)
** "Bandì": bandido (em creole)

Um ser Laguna

Um ser Laguna
Banhada por praias e mares
Com lindas famílias
E belos lares
Suas histórias
Comovidas por Anita
Uma guerreira Garibaldi!
Tratado de Tordesilhas
Guerra de Farroupilhas
És fonte de água pura
Teus lindos dias
Com vidas seguras
Turística e belas imagens
Um hino de amor
Uma canção de loucura
Suas igrejas de fieis
Pescadores
Nossa senhora dos Navegantes
Santo Antonio
Não és lugar anônimo!
Em Laguna não há temores
Sim Tremores
De folia em forte carnaval
Ainda levas
Meus sonhos de guri
Por onde brincava
Alegre a sorrir
Tu brilhas em meu sonho
Me acompanha
Em meu coração
A saudade de ti
Me causa emoção
Será que um dia volto?
Pra morar nesse lugar
Abençoado
De mar e céu aberto!
Pois sei que tu tens
*A glória de braços estendidos
Veleiros a navegar
Seus pescadores
Lançam as redes ao mar
Com seus belos botos
Em apoio a pescar
De séculos em lindas proezas
Conquistas a quem te conhece
Eu morei em ti
Mas agora tu moras em mim!
Ludiro
25/03/2006
*Glória de braços estendidos: Imágem de N. S. da Glória no Ponto culminante da cidade Laguna.

Reflexos

Reflexos
Vidros
Espalhados pelo chão
Refletindo
Os cacos de vidas
De uma nação
Vendo
Em pequenos reflexos
Uma ilusão
A decepção
Um povo infeliz
Miserável
Caos
Sol na pele escura
Queimada
Mãos marcadas
Em chagas
Descalços
Desnutridos
Em longas caminhadas
Buscando água
Em grandes latas
Carregadas
Sobre suas cabeças
Uma ingratidão
Em pequenos cacos de vidros
A minha visão!
Ludiro
25/03/2006

Fantasias

Fantasias

Se não fossem
Nossas fantasias!
O carnaval
Por certo não haveria
Onde estariam
As alegorias?
Uma linda visão
De nossas fantasias.
Nem bailes
Muito menos Halloween
Isso jamais existiria!
Nossa juventude
Faleceria
Monotonia
Cega e parada
Infância
Uma mera passagem
Efêmera e fugaz
Sem brinquedo
Sem alegria
E o findar de nossos dias
Lá na perfeita maturidade
Morreríamos
É certo!
Mas de infelicidades!
Ludiro
23/03/2006

quarta-feira, março 22, 2006

Amante Morte

Amante Morte

Amar a morte
Presença forte
Do momento
Em que se nasce
A cada instante
Se morre!
Fiel passiva morte
Acompanhando-nos
Não é falta de sorte
Amiga que impulsiona
À vida longa
Temê-la!
Para quê?
Não é o desejo dela
À vida!
Pois que eu tenha amor
Assim ela valor dará
Caminhando a meu lado
Sempre estará
Onde quer que eu vá
Nesta vida alegre
E quando chegar o findar
Dos dias que me restam
Desta linda vida
Vida bem vivida
Companhia ela me fará!
*
Amante morte
Me dê uma boa hora
E neste momento
Abrace-me forte!
Não te negarei o beijo
Beijo doce e valente
No romântico
Frio conseqüente!
Te acompanharei!
E muito contente
De mãos dadas
Galgando os vales das sombras
Atravessando o teu mar
Gelado e vazio
Na luz de sua lamparina
Sob sua proteção
Linda morte menina
Guia-me até o além
Ao meu destino certo
E quando estiver perto
Com lágrimas e sorriso
Em breves despedidas
Antes de chegar ao paraíso
Deixando-me na porta
Entregue aos anjos
E num gesto infeliz
De um amor rompido
Pois também foste vítima
Do belo Cupido
E me deixarás!
Retornando
Com o seu lindo vestido branco
Dentro do seu barco
Chorando em prantos!
Ludiro
21/03/2006

Na teia

Na teia

Pobre mosca
Que em seu belo vôo
Suave e contente
Deparou-se com a rede
O espaço da pequena aranha
Que tomada e envolvida
Com o profundo e soberano olhar
Da pequena aracnídea
Que a hipnotizou
Em um lindo envolvente abraço
Nos perfeitos laços
A nobre tomou em seus braços
Conquistada em amores letais
Não quis sair mais
Com um doce e saboroso beijo
Da aranha
A pobre e coitada mosca tomou
Seduzida, abduzida e sugada.
Nem sentiu dor
Ficaram apenas os restos mortais
Aquela que morreu por amor
Ludiro
20/03/2006

Lavar roupas

Lavar roupas
Lavar a boca
Lavar o corpo
Lavar a roupa
Lava a alma!
Com muita calma!
Resplandece em luz!
Lavar a roupa
Que não é pouca
Deixa-me com a mente
Por demais louca
Com poesias doidas
Prontas para saírem
Prontas e livres
Para se despirem
E lavar suas roupas
Em melodias ternas
Não sendo guardadas
Depois de lavadas
Passadas e dobradas
Dentro de um velho roupeiro
Com cheiro de mofo
Amareladas pelo tempo
Por não usá-las
Esquecidas ao léu
Este louco menestrel
Vai destacá-las em um quadro
Por baixo de um vidro
Vai deixá-las reunidas
Espalhadas
Todas as suas loucas
Dentro de um belo livro
Ludiro
20/03/2006

terça-feira, março 21, 2006

Bons Amigos

Photo by Ludiro

Bons Amigos

Os bons amigos
São divinos
vêm para tornar nossas vidas melhores
Nos encantando, rejuvenescendo,
Inspirando em melodia
Presença pura do amor
Em ternas poesias
Ludiro
20/03/2006

domingo, março 19, 2006

Se não fosse a poesia!

Se não fosse a poesia!
Se não fosse a graça da poesia,
O que seria?
Ninguém se conheceria,
Nem divindades
Nem súditos
Nem a realeza
Que tristeza!
Mas ela,
Que coloca em harmonia
Tudo ao seu redor
Não persiste
Nem insiste
Apenas existe!
Ludiro
19/03/2006

Poesia publicada na Blocos Online, portal da literatura e cultura

Dois corações

(Photo by Ludiro)
Dois corações

Largados ao tempo
Sem sentimento
Ao léu à luz do céu
Jogados
Sem dó nem piedade
Sofrimento amargurado
Descascado
Amassado
Deixados de lado
Em pleno calor do sol
Coitados Abandonados
Porém!
Têm ao outro
Finalizando
A triste solidão
Ludiro
18/03/2006

Folhas Secas

Folhas secas

Abandonadas ao solo
largadas
Pelo vento levadas
De um lado para outro
Violentadas
Pela chuva da madrugada
Desprezadas pelo tempo
Pisoteadas pelos animais
Que passam em manadas
Estas
Alimentam a terra!
Ludiro
18/03/2006

sábado, março 18, 2006

Amar

Amar

Certa vez
me falaram
que amar era tudo,
mas, hoje percebo
que amar
é o começo de tudo,
só fazemos algo
depois de começar a amar,
porém, o fim
depende do começo,
começamos amando
e o amor permanece
e o final
vem feliz!
Ludiro
18/03/2006

Pensamentos Ludirianos

A amizade é um dom não domável, uma conquista sem luta, o amor bem amado sem desejo nocivo, apenas amigos!
-- ^^Ludiro^^

As palavras são os anjos em nossas línguas e nas escritas, aliviam dores, alicerçam amores, e enfim, nos empurram a viver!
-- ^^Ludiro^^
*
O início da loucura é o findar do raciocínio! -- ^^Ludiro^^
*
Nenhum homem é tão completo que não tenha uma meta, algo a desejar. Até mesmo aqueles que não acreditam mais na vida, mesmo assim, desejam algo... o amor é que infunde a qualidade deste desejo!
-- ^^Ludiro^^
*
A poesia não morre, vive para eternizar o Poeta! -- ^^Ludiro^^
*
A paz, elemento que todos buscam, fazem guerras por ela! -- ^^Ludiro^^
*
A poesia é vida e morte, luz e escuridão, a poesia é caminho, e só depende de quem se conduz por ela! Ela encanta, alegra, inspira e enche de amor, protesta, reclama tudo a seu favor! Mas derruba quem vai contra! - ^^Ludiro^^
*
A poesia é um elemento muito presente em nossas vidas, mesmo aos mais leigos, os que não conhecem a poesia, ela está lá presente, mesmo que seja para inspirar o poeta! -- ^^Ludiro^^
*
Mario Quintana disse "a poesia é um passarinho, vem e pousa em nossas mãos e bate asas e vai embora!" Elaborei uma arapuca para elas!! Ando com um caderno e um lápiz no bolso, quando elas pousam eu lanço o caderno em cima delas e capturo uma por uma!! -- ^^Ludiro^^

sexta-feira, março 17, 2006

Criação

Criação
Pra que tanta solidão
Se você tem vida
Tem Deus no coração
Ele que te deu o viver
E você é a criação
Ludiro
15/03/2006

Cinco

Cinco
Cinco dedos minha mão
Cinco pontas o meu pé
Cinco dias que tem feira
Vai ao sábado só quem quer
Cinco notas no meu bolso
Nota cinco no esboço
Coço cinco vezes o pescoço
Pensando no que escrever
Escrevendo cinco desses
E no cinco parei de escrever
Já cansei com tanto cinco
Cinco horas sem comer
Pra parar com esse cinco
Vou dormir que estou cansado
Cinco horas da manhã
Vou deixar isso de lado!
Ludiro
15/03/2006

Eu

Eu
Meu pensamento
Me aprova
Na prova
Que estou vivo
Vivo vivendo
Vendo o quê?
Mas ninguém vê!
O meu infinito
Infinito mundo
Onde posso tudo
Na frente do mundo
Ninguém nunca vai saber
Mostro para quem eu quero
Quem não quero
Não tem lero
O meu espaço
Espaço escuro
Para aquele que quer ver
Uma luz forte no fundo
Essa luz não vem do mundo
E é só eu quem posso ver
O meu consciente
O meu verdadeiro ser
Ludiro
15/03/2006

Sonho

Sonho
Canto
no canto
em meu encanto
do encantado
canto
do meu inconsciente
Ludiro
15/03/2006

Somos estrangeiros

Somos Estrangeiros
Todos exaltados
Bandidos safados
Com armas enferrujadas
Atirando pra todos os lados
Gente correndo
Um pastor reclamando
Num Espanhol-francês misturado
"La iglisi peligroso pour orar"
Olha a que ponto foi chegar!
O inferno começando
Todos às pressas
Já se preparando
No bolso o terço
Na cabeça o pensamento
Joelho esfolado
De tanto ajoelhar
Buscando sobrevivência
Não desejando a falência
De quem queremos capturar
Faroeste adaptado
Nos lixos, nos buracos
Em cenário de papelão
Os barracos de tantos irmãos
Pobres coitados,
Estão desesperados
Esperando a salvação
Soldados brasileiros
Aplaudidos como estrangeiros
Os bravos guerreiros
Vindos de outra nação
Ludiro
15/03/2006

Sedutor

Sedutor
Olhos penetrantes
Do sagaz sedutor
Fazendo à bela
Lindos pensamentos
Do delírio ao prazer
Aos seus braços entregar-se
Em uma hipnose inevitável
Em beijos e abraços
Um casal fazendo amor
De olhos cruzados
Dentes travados
Pensamentos vagos
Paralisada
Na fantasia
Em pensamentos gemia
A donzela
Que do outro lado
Da rua estava
Não mais queria
Parar de olhar
O sedutor
Que não conhecia
Ludiro
16/03/2006