terça-feira, abril 11, 2006

Lição com as folhas do caderno

Lição com as folhas de caderno

Aprendo
Nas folhas brancas
Em branco puro
Uma brancura só
Aprendendo
Com suas linhas retas
Retilíneas
Uma retidão só
Aprendo
Com o seu formato
Quadrangular
Igualzinho a um quadro
Antes de pintar
Quatro cantos
Quatro ângulos
E também
Sua leveza
Sua flexibilidade
A profunda beleza
Em tantos detalhes
Mas isso só
Não me basta
Não satisfaz
Tenho que
RISCÁ-LAS
Ludiro
06/04/2006

Entre tantos

Entre tantos

Deixe-me cantar
Correr e gritar
Aos quatro cantos do mundo
Deixe-me quebrar
O silêncio da noite
Igual a um pássaro noturno
Sou apenas mais um
No meio da multidão
Neste mundo cão
Trabalhador
De mãos calejadas
De tanto pegar na enxada
Cortar cana
Quebrar pedra!
Por ser pobre honesto
Tem muita gente por aí
Falando que não presto
Mas não faço protesto!
Já tombei!
Também votei!
E aí?
O que ganhei?
Continuo do mesmo jeito
E sempre continuarei!
Mas quero ter
Essa liberdade
Mesmo no avançar da minha idade
Não consigo pular
Deixe-me tentar
Vou cair
Mas vou suportar!
Suportei
As dores da vida
Pai e mãe
De partida
O preconceito da cor
O ciúme do amor
A dor
O rancor
De não saber ler
Nem escrever
E muitos riam
Por falar errado
Chacota
Se cair estou acostumado
Sou apenas
mais um pobre coitado
Que sonha
Até o último dia
Desta vida
Que me resta
Sem esperança
Acredito
Espero e
Morro feliz!
Ludiro
07/04/2006

Amar tanto amar

Amar tanto amar

Eu te amo
Simplesmente porque te amo
Se te amar fosse morrer
Estaria condenado à morte
E a morte
Levar-me-ia
Assim
Feliz
Pois morreria amando-te
Mas se te amar é doença
Sou um incontrolável hipocondríaco
E não quero ter cura
Desta doença maluca:
A doença de te amar
Mas se para viver
Sem ter o teu amor
Uma imensidão caísse sobre mim
Me restaria apenas
A morte infeliz
E para mim
Morrer sem lutar
E assim findar
Com uma simples frase
Aqui jaz
Aquele que morreu
Por amor a você!
Ludiro
07/04/2006

sexta-feira, abril 07, 2006

Descrever escrevendo

Descrever escrevendo

Não sei como dizer
Vou escrever
Na folha em branco
Na parede
Bem no canto
Em traços leves
Soltos e belos
Descrevendo
Vou aonde puder
Escrevo
O que vejo
Nos olhos
Do pensamento
Escrevo com sentimentos
O que o coração manda
Neste exato momento
E em todos vindouros
Riscarei, sujarei
Emaranhados de rabiscos
Com caneta
Lápis
Pincel
Com saliva
Se não puder
Com o sangue
Se precisar
Mas vou expressar
Do jeito conveniente
Convincente
Com amor
Ou a força
E bravura
Das palavras
Pulsando em minha veia
Elas que incendeiam
O calor desta emoção
Descrevo escrevendo
Nas linhas dos sentimentos
No branco da minha memória
Na falha da história
No ritmo de um pulsar
Até que pare
Este movimente
Soletrante do coração
No findar das forças das minhas mãos
Onde meus passos encadeirar
Nem sequer puder falar
Nem gesticular
E assim
Que não puder mais escrever
Levarei o que sobrar
Comigo
Alegrarei os anjos com elas
Ludiro
05/04/2006

Palavras

Palavras

Emanem
Nasçam
Alegres e soltas
Desprendam-se de mim
Saiam por aí
Vão
E alegrem
Todos que adiante
Aparecer
E não deixe
Nunca perecer
O entusiasmo
Que vocês
Pequenas
Dóceis
Palavras
De amor
Nos pobres
Corações
Desfalecidos
Produzir
Mas encham
Inchem
Estourem
Com todo amor
Que transportam
Em suas essências
Emancipadas
Do meu ser
Minhas queridas
Vão
Exterminem
O mal
O ódio
Espantem
E façam brotar
Amor
Lágrimas
E Deus
Em cada ser
Que
Olhando para vocês
Comecem a ler!
Ludiro
05/04/2006

Não perecível

Não perecível

Nada corrói
Nem mesmo sequer
Destrói
Abençoada
Não ultrajada
No amor
Sem par
Sem medo
No dia-a-dia
Companheira
Da distância
Saudades
No coração
Uma verdadeira amizade
Pura
Singela
Não perecível
Ludiro
05/04/2006

Homem e Natureza

Homem e Natureza
Vida doce
Campos belos
Belas flores
De marmelo
No aroma desta manhã
As flores de maçã
As abelhas zumbisando
Em cada flor
Trabalhando
Colhendo o pólen
Fabricando seu mel
E no alto as andorinhas
Tão lindas
Pairando neste céu
As árvores
Formando perfeitos pomares
Em volta delas
Pequenas casas
Lindos lares
Crianças brincando
No imenso campo
Entre tantas flores
Sonhando no futuro
A conquista de tantos amores
Fico à observar
Esta divina relação
Amizade homem e natureza
Homem criação
Ludiro
05/04/2006

Dama da noite

Dama da noite
A beleza
Numa luz
Vem nas noites
E seduz
Em reflexos
Noturnos
Das vidraças
Nas ondas
E para-brisas
Nossas visões
Ela conduz
Esta lua
Quando cheia
Nos mata,
Embriaga
Incendeia
Na beira da praia
Sentado na areia
Sentindo o calor
De uma bela fogueira
Regado
Com amor
Na pele que tateia
Sentindo imensa alegria
Nessa luz que muito clareia
Ludiro
02/04/2006

Caliente

Caliente

Suavidade
da pele quente
em deslizes
aconchego do corpo,
carícias envolventes
cheiro o teu pescoço
gostosa sensação
aroma da paixão
toques frenéticos
em várias posições
gemidos agudos
como uma doce melodia,
à vontade, rendida
ao louco desejo
calor que evapora
Suor, cheiro e gosto
de uma sensual
entrega de corpos
Ver-te nua
à mercê de
todas as fantasias
Jorra o deleite
com energia,
viscoso sabor
do corpo em chamas
ao orgasmo final
Ludiro
18/03/2006

Angústia

Angústia

Dor sentimental
Não leve a mal
Este dia não foi legal
Além do mais
Vou deixar isso para trás
Para mim tanto faz
Vou embora daqui
Não volto mais!
Ludiro
30/03/2006

quarta-feira, abril 05, 2006

Lapidando as palavras

Lapidando as palavras

As palavras
Quando bem organizadas
São incríveis
Têm um poder
Tão grande
Sobre as pessoas
Algo sobrenatural
Fazem sorrir
Dar gargalhadas
Salutar
Chorar
Transportam vários sentimentos
Em si
E transmitem
A sua essência ao leitor
Numa forma
Encantada, pura magia
São as palavras na forma bruta
Dentro da literatura em geral
Lapidando-se aos olhos
De milhares de leitores
Tornando-se a mais nobre
E preciosa fantasia
Ludiro
04/03/2006

domingo, abril 02, 2006

Minha Pátria

Minha Pátria

Neste solo
No qual pisei
Muita coisa vi
Tantos fatos presenciei
E de mim
Muito dei
Minha paz
Meu amor
Minha dedicação
Em grande empenho
Deixei
O meu suor
Que lavou esta terra
Minhas lágrimas
Que regaram novas plantas
Minha tristeza
De tudo que meus olhos contemplaram!
Mas meu sangue
A minha vida
Jamais dediquei
Esta pertence
À minha amada Pátria
A qual nunca
Deixarei
Ludiro
01/04/2006

Estrela Cadente

Estrela cadente

Riscaste
O céu contente
No momento
Espontâneo
E, de repente
Colocaste
Nos meus olhos
O brilhar
De tua calda triunfante
Nesta diminuta trajetória
Ao final do teu traslado
Te lançaste sobre o mar.

Vai estrela cadente
Neste céu de tantas estrelas
De noites belas repetidas
Há milhares de anos
Trilhões de milhas
Tu, em frações de segundo
Encantaste com o teu único piscar
Eternizaste em meu coração
A tua linda imagem
Uma estrela que não mais voltará

Foste com tanta beleza
Uma ligeira delicadeza
Em teu enorme glamour
Morreste jovem e linda
Por que te lançaram
Sobre o Mar
Cheia de amor e paz

Esta estrela cadente
Caiu conseqüente
Porque era a mais bela
De todas as estrelas existentes
Lançada esta foi
Por ciúme demente
Daquelas que invejavam
Sua magia reluzente

Querida estrela cadente
O que tu não recebeste no céu
Trouxeste para essa gente
Com tua bagagem cheia
E teu sorriso de criança
Espalhaste sobre esta terra
Paz, amor e esperança!
Ludiro
01/04/2006

Vampiros

Vampiros

Deixei
Suor,
Lágrimas
E sangue
Nos importunos
Momentos
Fugazes
Da relação
Homem
Verso
Insetos
Sugadores
Da seiva
Humanitária
Ludiro
31/03/2006

Insano momento

Insano momento

Calor insuportável
Corroendo meus ânimos
Mosquitos esvoaçando
Sugando meu sangue
Atormentando minha paciência
Quebrando meu silêncio
Com seus zunidos
Nos ouvidos
Destruindo Minhas expectativas
De raciocínio
Momento insuportável
Da espera
No silêncio
Atordoado
Pelas sinfonias
Indesejadas
Desafinadas
Enlouquecedoras
Dos pernilongos
À solta
Em busca
Do alimento
Humano
Ludiro
31/03/2006

Inconsciência

Inconsciência

Navego
Sonhando a vida
Nos pensamentos
Desconhecidos
À procura
De novos saberes
Surfando
Nas ondas
Do meu inconsciente
Procurando algo decente
Em cada canto do consciente
Chegando a uma poesia
Que consente
Felizmente Novamente!
Ludiro
30/03/2006

Vento

Vento

Leve e suave
Batendo no rosto
Refrescando o corpo
Aliviando a carne
Esvoaçando os cabelos
Escondendo o olhar
Da amável jovem
Delicada a caminhar

Brisa enrustida
Mais forte de repente
Pegando desprevenida
A jovem assustando
Levantado o seu vestido
Mostrando a todos
O que estava escondido
Arrancando do seu rosto
Um belo sorriso

Vento amigo
Refrescou-me a carne
Aliviou-me a tarde
Trouxe-me alegria
Até onde não precisava
Levantando o vestido
Da bela que passava
Ludiro
29/03/2006

Louca apaixonada

Louca apaixonada

O Louco
Falou para o doido
Que a maluca
Está atrás de um pirado
Para enfim casar-se
Eu, desmiolado
Apareci no lugar errado
E com ela fui me esbarrar
Agora já é tarde
Não tem como escapar
Maluca e desmiolado
Formaram um belo par!
Ludiro
27/03/2006

Cachoeira

Cachoeira

Caindo
Em véu
E grinalda
Mostrando a calda
Num suave deslizar
Na queda
Sua música
A musa
Nos passos
Prossegue
Sabendo aonde chegar
Noiva formosa e glamourosa
Em suas curvas deliciosas
Caminhando ao encontro
Do seu belo noivo mar
Aonde em uma cerimônia
Irão se casar!
Ludiro
27/03/2006

Coração sob pedras

Coração sob pedra
Sofre a coitada
E sente muita dor
Deixou-a machucada
Aquele que não cuidou
Por sentir tanto amor
A ferida esta aberta
Nunca mais cicatrizou
Mesmo estando sob pedra
A espera
Se esmera
Na bondade
Indo à busca
Da felicidade
Uma nova oportunidade
Um novo amor!
Ludiro
26/03/2006